Voluntários profissionais: conheça os especialistas da boa-vontade

PORTUGUÉS

Por Philipe Rabelo (Brasil) – Jornalista Jovem AIPS América

LIMA, Perú, 4 de agosto de 2019.- Somo um cachecol quentinho dado para alguém em dia de frio” essa é a definição dada por Nele Nelson Machado, do Rio Grande do Norte, ao trabalho voluntário. Assim como ele, outros 249 brasileiros fazem parte dos jogos de Lima, que contam com a ajuda de 12 mil voluntários. Muitos deles já são profissionais do voluntariado com passagem por outros megaeventos.

 Nele Nelson trabalhou na Copa do Mundo de 2014, nas Olimpíadas Rio 2016, nos Jogos Olímpicos da Juventude,  que aconteceram em 2018, em Brunos Aires. Agora está no Pan de Lima. Ele conta que se programa para tirar férias do trabalho de bibliotecário sempre na época dos eventos. “Eu já decidi que vou conhecer o mundo por meio dos jogos, sempre programo as minhas férias nestes períodos e já estou me preparando para Tóquio”, explicou.

Para esta edição do Pan ele trouxe a irmã, Joelza Machado, como voluntária. Ela vive a experiência pela primeira vez e se diz encantada. “Eu nunca imaginei que seria tão bom, trabalhamos muito, mas é uma experiência maravilhosa, conhecemos muita gente. Estou amando!”, disse.

Mas nem todo mundo conseguiu tirar férias para trabalhar como voluntário sem ter problemas.  Esse foi o caso da Nuria Alves, funcionária autônoma de Brasília. Ela trabalhava com um advogado e já havia solicitado as férias para as Olimpíadas do Rio. Passagem comprada, hospedagem certa e na semana da viagem o patrão de Nuria pediu que ela reprogramasse as férias para setembro. Nuria não conversou, explicou que iria para os jogos e que não teria jeito. “Trabalhei nas Olimpíadas e foi uma experiência maravilhosa, no intervalo entre os jogos olímpicos e os paralímpicos voltei para Brasília e fui demitida, mas nem liguei, ao contrário, curti as paralimpíadas sem a pressão do trabalho”, relatou.

De lá pra cá, ela também trabalhou em todos os mega eventos. No primeiro trabalho na Copa do Mundo de 2014 ela conheceu Nathalia de Oliveira, outra veterana do voluntariado. As duas são de Brasília e sempre estão juntas, inclusive aqui em Lima. “A gente recebe um carinho lindo dos outros voluntários, a troca de experiências é enorme e os voluntários peruanos são muito solícitos com a gente”, contou Nathalia. As duas também já se preparam para eventos futuros. Para Tóquio ainda estão avaliando as possibilidades, mas já estão no aquecimento para as Olimpíadas de Paris, em 2024. “Já estou aprendendo Frances, vou chegar lá arrasado”, contou Nuria, que na sequência me disse em Frances que falava três idiomas “Je parle français anglais et portugais. Et vous?”

As amigas também contam que estão estranhando um pouco o frio da cidade, que costuma ter temperaturas de 15 graus. Além do clima, o idioma também é um elemento que exige esforço, mas contam que no voluntário a linguagem da boa-vontade é mais eficaz que o próprio idioma. ” A gente vai se virando aqui, se a gente não entende, pergunta. Chama alguém que fale espanhol para ajudar. O importante é ter boa-vontade ajudar e isso não falta no nosso grupo”, explicou Nuria.  Ela também relata que se impressionou ao descobri que pollo quer dizer frango, em espanhol “Uma gente falando o tempo todo pollo, pollo, pollo, e eu ficava, mas o que é pollo? Quando descobri que era frango, na hora associei que polla seria a galinha”, brincou.

Estes voluntários chegaram a Lima no dia 27 de julho e a surpresa deles ao se apresentarem para trabalhar foi conhecer Vania Costa, de 51 anos. Ela é voluntária que está trabalhando pela primeira vez nos jogos. O que os une ainda mais é que Vania também é brasileira e mora no Peru há 9 anos. Ela conta que veio para o país com o filho e marido, que na época havia sido transferido.  Depois de um tempo a empresa voltou para o Brasil e eles optaram por fica em Lima “Aqui me sinto segura, ando a noite sozinha e adoro a cultura do país”, contou.

Vania disse que ficou muito feliz e agradecida de ter conhecido tantos brasileiros trabalhando nos jogos Pan-Americanos. “é maravilhoso encontrar gente do meu país, ver a alegria das pessoas do Brasil. Toda vez que encontramos brasileiro fazemos uma festa”, brincou.

Os peruanos também estão gostando da troca de experiências com os brasileiros, Satty Fernandez, tem 24 anos e estuda jornalismo. Ela atua na área de imprensa, que dá suporte aos jornalistas que vieram cobrir o evento. Ela se diz impressionada com a agilidade dos brasileiros. “Os brasileiros com os quase trabalhei foram muito amáveis e são muito rápidos e pró-ativos. A troca cultual está sendo incrível”, explicou.

Inclusive quem coordena todos esses voluntários é Marcos Furiati, o responsável pela  área de planejamento e operação da força de trabalho. Ele é mais um brasileiro e tem a mesma vasta experiência dos grandes eventos.  Marcos está em Lima há um ano e meio trabalhando na preparação dos jogos.  Além dele, há outros 60 brasileiros que também são funcionários do comitê organizador dos jogos Pan-Americanos, que conta com 1.200 funcionários.  Ele conta que dá uma tranquilidade ao encontrar os voluntários do Brasil. “Brasileiro a gente vê em todo o lugar, mas eles vêm para trabalhar com uma vontade única, uma força de vontade incrível e são super empenhados. Alguns até tentam trabalhar mais do que a regra permite, mas a gente conversa e fica tudo resolvido” explicou. Marcos, apesar de adaptado ao país, está com saudades do Brasil. Ele vai concluir o os jogos Parapan-Americanos e volta ao Rio de Janeiro, para se casar em outubro deste ano. Em 2020 ele ainda não tem planos de ir para Tóquio, mas não descartou a possibilidade.