O melhor time de todos os tempos faz história e entra na vida de um menino

Por Vicente Dattoli (Brasil) – Membro EC AIPS – vicentedattoli@hotmail.com 

RIO DE JANEIRO, Brasil, 21 de junho de 2020.- Domingo, 21 de junho de 1970. Depois de derrotar, pela ordem, Tchecoslováquia (dia 3 de junho, 4 a 1); Inglaterra (7 de junho, 1 a 0); Romênia (10 de junho, 3 a 2); Peru (14 de junho, 4 a 2) e Uruguai (3 a 1, 17 de junho), a seleção brasileira de futebol chega à final da Copa do Mundo do México. Tentará seu terceiro título, depois de ter vencido em 1958 (Suécia) e 1962 (Chile). Se derrotar a Itália, ficará, para sempre, com o troféu, a ambicionada Copa Jules Rimet.

Brasil tricampeão mundial de futebol no México 1970. / Brasil tricampeón mundial de fútbol en México 1970. / Brazil three-time world soccer champion in Mexico 1970 (Foto/Photo: marca.com

Quis o destino, porém, que seu rival na decisão fosse a Itália (que chegou à final depois de passar por Suécia, Uruguai, Israel, México e Alemanha Ocidental) – e se a Azzurra vencesse, seria dela a posse definitiva da taça, afinal, já conquistara o Mundial em 34 e 38.

Para um menino de seis anos, que começava a descobrir os encantos do futebol, aquele domingo era mágico. De família italiana, já se sentia campeão, qualquer que fosse o vencedor. Seus olhos brilhavam com os jogos que eram transmitidos, pela televisão, para o Brasil.

Brasil que vivia sob um duro regime militar, com milhares de compatriotas exilados, presos, desaparecidos. Esta situação, inclusive, fez com que muitos brasileiros não desejassem a vitória de seu time, afinal, seria uma propaganda maravilhosa para o grupo que comandava o país. Só que nada disso fazia parte da realidade do menino. A ele só importava o futebol, a festa da torcida, a possibilidade de ser o melhor do mundo.

O menino aprendera a ler justamente naquele ano. E teve como companheira e guia justamente uma revista sobre futebol, “Placar”, lançada em março. Seu pai, como chegava tarde em casa devido ao trabalho, pedia ao jornaleiro, Albenzio, que levasse, toda a terça-feira, o exemplar até o garotinho, que não dormia até folhear e admirar cada reportagem.

Domingo, 21 de junho de 2020.

Não há Copa do Mundo este ano. Os Jogos Olímpicos, pela primeira vez na história, foram adiados por conta de uma pandemia que vitima milhões de pessoas em todo o mundo. O Brasil, vejam só, vive em crise política – mas há democracia, pois o presidente que é tanto criticado e toma atitudes radicais foi eleito pelo voto popular.

Há 50 anos o Brasil conquistou a Jules Rimet ao derrotar a Itália na final por 4 a 1. Só que o troféu não está mais por aqui: foi roubado e derretido, vejam só. Uma tristeza para todos os amantes do futebol, sejam eles brasileiros ou não.

Por causa da pandemia não teremos festas. Os campeões, os heróis do tri, que eram os 90 milhões em ação, como dizia a música mais popular em 1970, fazem parte dos chamados grupos de risco e não podem se reunir. Como nenhum de nós.

Aquele menino cresceu. Viu, depois da Copa de 1970, no México, Mundiais na Alemanha, na Argentina, na Espanha, outra vez no México, na Itália, nos Estados Unidos, na França, no Japão e na Coreia do Sul, de novo na Alemanha, na África do Sul, no Brasil e até na Rússia.

Esse menino travesso chamado destino o transformou em jornalista esportivo. E sabem qual foi sua primeira Copa do Mundo, como jornalista? A de 1990, na Itália. E ele trabalhou, muito, também, no Mundial realizado no Brasil, em 2014. Nas duas ocasiões, tristeza. Viu Maradona destruir o sonho italiano e os alemães causarem vergonha a todos os brasileiros.

Neste domingo, 21 de junho de 2020, porém, não é hora de pensar em tristeza. O menino, hoje sem ilusões ou inocência, pensa na vida lá fora e relembra Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson, Rivelino e Jairzinho; Tostão e Pelé (além de, claro, Ado, Leão, Marco Antônio, Paulo Cezar, Fontana, Dario, Zé Maria, Baldochi, Joel Camargo, Roberto e Edu). Foram eles os campeões, comandados por Zagallo.

O jornalista esportivo, que escreveu sobre os títulos de 1994 e 2002, neste domingo volta no tempo e, com lágrimas nos olhos e o coração disparado escreve, finalmente, sobre o Mundial de 1970. E agradece o carinho do povo mexicano; os chutes de Rivelino; os gols de Jairzinho; os passes de Gérson; as defesas de Félix; e, claro, à genialidade de Pelé por toda aquela emoção.

Brasil, tricampeão do mundo no domingo, 21 de junho de 1970.

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ENGLISH 

THE BEST FOOTBALL TEAM OF ALL TIMES MAKES HISTORY AND ENTERS A BOY’S LIFE 

By Vicente Dattoli – AIPS EC Member – vicentedattoli@hotmail.com 

RIO DE JANEIRO, Brazil, Junes 21, 2020.- Sunday, June 21, 1970. After defeating, in order, Czechoslovakia (June 3, 4 to 1); England (June 7, 1 to 0); Romania (June 10, 3 to 2); Peru (14 June, 4 to 2) and Uruguay (3 to 1, 17 June), the Brazilian soccer team reaches the World Cup final. He will try his third title, after winning in 1958 (Sweden) and 1962 (Chile). If he defeats Italy, he will be, forever, with the trophy, the coveted Jules Rimet Cup.

Destiny, however, wanted his rival in the decision to be Italy (which reached the final after passing through Sweden, Uruguay, Israel, Mexico and West Germany) – and if Azzurra won, it would be her final possession of the cup, after all, had already won the World Cup in 34 and 38.

For a six-year-old boy who was beginning to discover the charms of football, that Sunday was magical. From an Italian family, he already felt like a champion, whoever was the winner. His eyes shone with the games that were broadcast on television to Brazil.

Brazil that lived under a hard military regime, with thousands of compatriots in exile, imprisoned, missing. This situation, even, made many Brazilians not want the victory of their team, after all, it would be a wonderful advertisement for the group that commanded the country. Only none of that was part of the boy’s reality. He only cared about football, the fans’ party, the possibility of being the best in the world.

The boy had learned to read just that year. And she had as a companion and guide exactly a magazine about football, “Placar”, launched in March. His father, as he got home late due to work, asked the newsboy, Albenzio, to take the copy every Tuesday to the little boy, who did not sleep until he leafed through and admired each report.

Sunday, June 21, 2020.

There is no World Cup this year. The Olympic Games, for the first time in history, were postponed due to a pandemic that is killing thousands of people around the world. Brazil, you see, lives in a political crisis – but there is democracy, because the president who is so criticized and takes radical actions was elected by popular vote.

50 years ago, Brazil won Jules Rimet by defeating Italy in the final by 4 to 1. But the trophy is no longer around: it was stolen and melted, look at that. A sadness for all football lovers, whether they are Brazilian or not.

Because of the pandemic, we will not have parties. The champions, the heroes of the tri, who were the 90 million in action, as the most popular song said in 1970, are part of the so-called risk groups and cannot get together. Like none of us.

That boy grew up. After the 1970 World Cup in Mexico, he saw World Cups in Germany, Argentina, Spain, again in Mexico, Italy, the United States, France, Japan and South Korea, again in Germany, in South Africa, Brazil and even Russia.

This mischievous boy called destiny turned him into a sports journalist. And do you know what your first World Cup was, as a journalist? The one in 1990 in Italy. And he worked a lot, too, at the World Cup held in Brazil, in 2014. On both occasions, sadness. He saw Maradona destroy the Italian dream and the Germans cause shame to all Brazilians.

This Sunday, June 21, 2020, however, is not the time to think about sadness. The boy, today without illusions or innocence, thinks about life outside and remembers Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza and Everaldo; Clodoaldo, Gérson, Rivelino and Jairzinho; Tostão and Pelé (besides, of course, Ado, Leão, Marco Antônio, Paulo Cezar, Fontana, Dario, Zé Maria, Baldochi, Joel Camargo, Roberto and Edu). They were the champions, led by Zagallo.

The sports journalist, who wrote about the 1994 and 2002 titles, this Sunday goes back in time and, with tears in his eyes and a racing heart, he finally writes about the 1970 World Cup. And he thanks the Mexican people for their care; Rivelino’s kicks; the goals of Jairzinho; Gérson’s passes; Félix’s defenses; and, of course, Pelé’s genius for all that emotion.

Brazil, three times world champion on Sunday, June 21, 1970.

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ESPAÑOL 

EL MEJOR EQUIPO DE FÚTBOL DE TODOS TIEMPOS HACE HISTORIA Y ENTRA EN LA VIDA DE UN NIÑO 

Por Vicente Dattoli – Miembro EC AIPS – vicentedattoli@hotmail.com 

RIO DE JANEIRO, Brasil, 21 de junio de 2020.- Domingo 21 de junio de 1970. Después de derrotar, en este orden, a Checoslovaquia (3 de junio, 4 a 1); Inglaterra (7 de junio, 1 a 0); Rumania (10 de junio, 3 a 2); Perú (14 de junio, 4 a 2) y Uruguay (3 a 1, 17 de junio), el equipo de fútbol brasileño llega a la final de la Copa del Mundo de México. Intentará su tercer título, después de ganar en 1958 (Suecia) y 1962 (Chile). Si vence a Italia, se apropiará definitivamente de la codiciada Jules Rimet Cup.

Sin embargo, el destino quería que su rival en la decisión fuera Italia (que llegó a la final después de pasar por Suecia, Uruguay, Israel, México y Alemania Occidental), y si la Azzurra ganaba, sería dueño abnsoluto de la copa, pues ya había ganado los Mundiales del 34 y el 38.

Para un niño de seis años que comenzaba a descubrir los encantos del fútbol, ​​ese domingo fue mágico. De una familia italiana, ya se sentía como un campeón, quien fuera el ganador. Sus ojos brillaban con los juegos que se transmitían por televisión a Brasil.

Brasil que vivió bajo un régimen militar duro, con miles de compatriotas en el exilio, encarcelados, desaparecidos. Esta situación, incluso, hizo que muchos brasileños no quisieran la victoria de su equipo, después de todo, sería un anuncio maravilloso para el grupo que comandaba el país. Solo que nada de eso era parte de la realidad del niño. Solo le importaba el fútbol, ​​la fiesta de los fanáticos, la posibilidad de ser el mejor del mundo.

El niño había aprendido a leer justo ese año. Y tenía como acompañante y guía una revista sobre fútbol, ​​”Placar”, lanzada en marzo. Su padre, llegando tarde a casa debido al trabajo, le pidió al vendedor de periódicos, Albenzio, que le llevara la copia todos los martes al niño, que no dormía hasta que hojeaba y admiraba cada informe.

Domingo 21 de junio de 2020.

No hay Copa del Mundo este año. Los Juegos Olímpicos, por primera vez en la historia, se pospusieron debido a una pandemia que está matando miles de personas en todo el mundo. Brasil vive en una crisis política, pero hay democracia, porque el presidente que es tan criticado y toma medidas radicales fue elegido por votación popular.

Hace cincuenta años, Brasil ganó a Jules Rimet al derrotar a Italia en la final por 4 a 1. Solo que el trofeo ya no existe: fue robado y derretido, mira. Una tristeza para todos los amantes del fútbol, ​​sean brasileños o no.

Debido a la pandemia, no tendremos fiestas. Los campeones, los héroes del “tri”, los 90 millones en acción, como decía la canción más popular en 1970, son parte de los llamados grupos de riesgo y no pueden unirse. Como ninguno de nosotros.

Ese niño creció. Después de la Copa del Mundo de 1970 en México, vio las Copas del Mundo en Alemania, Argentina, España, nuevamente en México, Italia, Estados Unidos, Francia, Japón y Corea del Sur, nuevamente en Alemania, en Sudáfrica, Brasil e incluso Rusia.

Este niño travieso llamado destino lo convirtió en un periodista deportivo. ¿Y sabes cuál fue tu primer Mundial, como periodista? El de 1990 en Italia. Y también trabajó mucho en la Copa Mundial celebrada en Brasil, en 2014. En ambas ocasiones, tristeza. Vio a Maradona destruir el sueño italiano y los alemanes causaron vergüenza a todos los brasileños.

Sin embargo, este domingo 21 de junio de 2020 no es el momento de pensar en la tristeza. El niño, hoy sin ilusiones ni inocencia, piensa en la vida exterior y recuerda a Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza y Everaldo; Clodoaldo, Gérson, Rivelino y Jairzinho; Tostão y Pelé (además, por supuesto, Ado, Leão, Marco Antônio, Paulo Cezar, Fontana, Dario, Zé Maria, Baldochi, Joel Camargo, Roberto y Edu). Fuerán los campeones, liderados por Zagallo.

El periodista deportivo, que escribió sobre los títulos de 1994 y 2002, este domingo retrocede en el tiempo y, con lágrimas en los ojos y un corazón acelerado, finalmente escribe sobre la Copa del Mundo de 1970. Y agradece al pueblo mexicano por su afecto; Los disparos de Rivelino; los goles de Jairzinho; lox pases de Gérson; las atajadas de Félix; y, por supuesto, el genio de Pelé por toda esa emoción.

Brasil, tres veces campeón mundial el domingo 21 de junio de 1970.