Ginasta, treinadora e juíza: Silvia Topalova se dedica ao esporte há 47 anos

Por Philipe Rebelo (Brasil) – Jornalista Jovem AIPS América

LIMA, Perú, 31 de julho de 2019.-
Durante 16 anos a rotina de Silvia Topalova, ex-ginasta olímpica, era cercada por três palavras: Disciplina, sacrifício e paixão.  A atleta começou a treinar com 8 anos de idade, na escola, e até os 24 passou por grandes competições como os jogos olímpicos de Moscou (1980), Los Angeles (1984) e Seul (1988). Apesar das mais de 50 mil horas de treinamento, Silvia não conquistou nenhuma medalha olímpica e isso não diminuiu sua paixão pelo esporte.

Ao contrário, a atleta búlgara está há 47 anos vivendo a modalidade intensamente, inclusive já foi treinadora olímpica de Porto-Rico, nas olimpíadas de Londres, em 2012. Nos Pan-Americanos, também já foi a chefe da equipe em duas edições: Winnipeg 1999, no Canadá e Rio 2007, no Brasil. Nos jogos de Lima ela participa como juíza de ginástica.

“Quando eu vejo essas meninas eu entendo muito bem o que elas sentem, as dificuldades durante a preparação, a insegurança de não terem a família por perto. Para chegarem a uma competição como essa, elas treinam oito horas por dia e o nível está cada vez mais alto”, explicou.

A ex-atleta tem preferência pelas barras assimétricas, categoria na qual conquistou o 4º lugar olímpico dos jogos de Seul. Ela afirma que a ginástica teve uma evolução grande nos últimos anos em todo o mundo, principalmente em aspectos tecnológicos, de segurança e também se adaptou para cativar o público durante as transmissões.  “Hoje os aparelhos são bem melhores, as barras são mais separadas e há uma preocupação com os atletas para que não se machuquem com os impactos. Até as músicas das apresentações estão melhores, são conhecidas e isso deixa tudo mais atrativo”, justificou.

O tempo de competição também mudou. Silvia explica que hoje há mais dias de prova, em função do aumento de categorias. As disputas são individuais, por equipe e por aparelhos. Também ocorreu uma evolução no sistema de competições “existia uma série obrigatória que os atletas deveriam cumprir. A partir de 96, essa série não existe mais, apenas são necessários os movimentos obrigatórios que validam a dificuldade da apresentação”, contou.

Durante a entrevista, Silvia falava sobre as potencias mundiais da ginástica como Canadá e Estados Unidos e acrescentou o Brasil no elenco, em função da rápida evolução do esporte no país. Ela se recorda de quando ainda era ginasta na Bulgária fez uma turnê de exibição no Brasil e foi em cidades como Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. “impressionante como em 10 anos o Brasil, que tinha uma ginástica fraca, começou a despontar na categoria e se tornar uma referência no esporte”, comentou.

Questionada sobre o que mais a impressiona no esporte, Silvia é taxativa ao responder que superar limites e decepções é o maior dos ensinamento. Quando era ginasta, se lembra de ter treinado muito para uma competição e ter sofrido uma lesão na véspera da prova, o que a impediu de competir. “foi horrível, me senti muito mal em não poder participar depois de tanto treino, mas esse é o esporte. As lesões fazem parte do caminho e superá-las também”, lembrou.

Sobre os jogos em Lima, ela se diz encantada com a cidade, sobretudo com as pessoas, tanto as que estão trabalhando nos jogos, como a própria população. Ela nota um sentimento de orgulho nos peruanos em receber o Pan. “Eles estão muito animados em sediar um evento com esse. As pessoas são muito amáveis. Desde o aeroporto só vejo gente sorrindo, todos prontos para ajudar”, concluiu.