Do caratê para a ginástica: Caio Souza conquista ouro inédito para o Brasil

LIMA, Peru, 1 de agosto de 2019.- Imediatamente após encerrar a prova e sair das barras paralelas, Caio Souza se vira para trás e acena para duas mulheres que estavam no alto da arquibancada gritando e balançando bandeiras do Brasil. A mãe de Caio, Rosilene Fofa, assistiu ao filho em uma competição internacional pela primeira vez em Lima e saiu bastante orgulhosa, afinal Caio ganhou ao longo do jogos dois ouros e, hoje, uma medalha de prata.   

Caio também conquistou um título inédito para o país. É a primeira vez que um brasileiro conquista o primeiro lugar na categoria individual geral, que é quando o atleta passa pelos seis aparelhos e, somando todas as notas, acaba com a maior pontuação.  A outra medalha foi na competição por equipes.  

“Eu fico muito feliz de poder ver o Caio conquistando essas medalhas. Ele é muito esforçado e centrado. Ele não fica observando os demais, ele faz o dele e pronto. Nunca ouvi o Caio falar que não queria treinar, nunca, em nenhum dia em 25 anos”, afirmou Rosilene.

Ela lembra que o primeiro troféu que caio ganhou aos 9 anos era grande e a parte de cima formava uma espécie de tigela. Como ele adorava tomar sopa, Rosilene brincava que ele iria tomar a sopa no troféu. “Ele levava a sério e falava que só ia tomar sopa no troféu dele, mas consegui controlar e até hoje isso não aconteceu”, brincou.

 A mãe de Caio também relata que o ginasta começou a praticar com 3 anos de idades, depois que ela decidiu tira-lo do caratê. “Eu levava ele e o irmão para a luta, mas o professor disse que o Caio não ia trocar de faixa, porque era muito pequeno. No caminho pro caratê a gente sempre passava pela academia de ginástica, um dia vi umas crianças pulando em uma cama elástica e decidi trocar”, explicou.

A academia se chamava Cláudia Delgado, que não por acaso é o nome da fundadora e, também, da primeira professora de ginástica de Caio. Claudia estava sentada ao lado da mãe do atleta. Ela também veio prestigiar o pupilo em Lima. “O Caio teve vários professores depois de mim, mas ficou comigo dos 3 aos 7 anos. A vida dele foi uma construção e a mãe é a mola propulsora disso. A família faz o atleta chegar aonde está”, opinou.

O atleta reconhece que a mãe, além de ser a fã número 1, também é sua motivadora. Sobre a professora, Caio se coloca agradecido e lembra que o resultado de hoje começou muito antes. “Quando chegamos a Lima ela fez uma postagem no Instagram que me mostrava criança e me mostrava hoje em dia e a mensagem é: o que  gente planta, a gente colhe. Ela me incentivou demais” falou, Caio. Perguntado sobre a marca histórica para ginástica brasileira, Caio disse que não dá para prever o que vai acontecer nas competições, mas tinha dito aos amigos que iria fazer história “O que a gente pode fazer é trabalhar, ir aparelho por aparelho, elemento por elemento. Se a gente só pensar no resultado a gente se esquece do caminho. Mas eu falei pra galera da seleção que eu ia fazer historia no Pan e eu consegui, estou bem feliz”, concluiu.