Torcida brasileira organizada nos jogos Pan-Americanos

Por Philipe Rabelo Alves (Brasil) – Jornalista Jovem AIPS América

LIMA, Peru, 11 de agosto de 2019.- Torcer por quem não tem torcida. Esse é o lema dos chapolins brasileiros que desde o Pan de Guadalajara estão nos estádios torcendo pelo Brasil. Torcida organizada é melhor definição para o grupo de 14 pessoas que percorrem inúmeras competições, que vão dos campeonatos estaduais até os jogos olímpicos. Eles inclusive criaram uma premiação além das oficiais. Medalhito é o boneco do chapolin vestido com o uniforme da torcida.

O grupo surgiu em Belém do Pará, no norte do Brasil, por meio do Rui Tofolo. Ele, o irmão, a irmã e um amigo foram para o Pan de 2011. Dias antes da viagem, como eram poucos, decidiram criar uma fantasia que fosse agradar os anfitriões e acabaram vestidos de chapolin colorado, personagem de uma série humorística da televisão mexicano nos anos 70.

A fantasia estilizada chamou a atenção do público, dos jogadores e também dos responsáveis pela transmissão dos jogos,que davam destaques para torcida organizada.  No ano seguinte, olimpíadas de Londres e lá foram os torcedores para mais uma competição internacional. Dessa vez, para homenagear os donos da casa foram vestidos de guardas reais. «até foi interessante, mas não pegou. Quando a gente viu que ia ter final de futebol masculino Brasil e México não teve jeito, pegamos a fantasia do chapolin de volta», lembrou.

Ele conta que nesse retorno a imprensa começou a dizer que os chapolins tinham voltado, Então eles se assumiram chapolins convictos em todas as competições. O grupo foi ganhando novos membros e indo para outros torneios. Os responsáveis criaram uma empresa, em que todos contribuem com uma mensalidade, que não foi revelada, a fim de custear as viagens para apoiar os brasileiros que irão competir.

Rui explica que a beleza da torcida é dar apoio ao competidor, mesmo que ele esteja perdendo. Inclusive eles se dedicam a torcer nos esportes que o Brasil tem menos apoio. «Se for para ficar sentando assistindo, sem gritar, não adianta vir.  Eu prefiro ficar em casa.  Aqui a gente tem que dar força pro atleta. Muita gente não sai de casa para ver arremesso de peso, nós saímos e tivemos o privilégio de ver um campeão Pan-Americano do Brasil bater o recorde dos jogos», afirmou.

Essa paixão começou lá em Belém com a Dona Anita Tofolo, fã de esportes, que acordava os 4 filhos para verem e torcerem pelo Brasil nas competições.  Rui lembra que certa vez a mãe acordou para ver um Grand Prix de vôlei no Japão. «Nossa casa quanto tinha Brasil competindo era um caldeirão em frente à TV. E hoje levamos esse caldeirão para os estádios», explicou.

Em 2015 os chapolins também foram para Toronto e marcaram presença nas arquibancadas. 2016 foi a vez de torcer em casa, nas olimpíadas do Rio de Janeiro. Todos estavam lá, inclusive eles mandaram fazer 600 bonecos do chapolin para entregar aos medalhistas e aos simpáticos a torcida deles. O mascote medalhito acabou criando problema com a organização dos jogos e os chapolins começaram a ser menos mostrados nas transmissões, pois os bonecos acabavam aparecendo mais dos que os próprios mascotes das olimpíadas, Tom e Vinícius.

Para os jogos de Lima eles também trouxeram mais 600 medalhitos e estão distribuindo aos medalhistas, brasileiros ou não. Perguntado sobre a importância da torcida, Rui foi categórico ao lembrar de um momento nos jogos de Londres em que Brasil e Rússia se enfrentavam pelas quartas de final. A Rússia estava na liderança. Os chapolins conseguiram puxar um grito no ginásio de «o campeão voltou». Rui se emociona ao rever o jogo e ver que as meninas do banco de reservas falavam para as atletas que jogavam «vamos, a torcida está com a gente». No fim da partida o Brasil conseguiu virar o jogo e ganhou da Rússia.

Mas não são apenas os chapolins que vieram para Lima.  Também foram vistos outras figuras emblemáticas.  Havia um grupo de 7 brasileiros com ponchos coloridos com as cores do Brasil nas arenas de competição. Eles são os Amigos de Ouro, cujo objetivo também é torcer e a cada competição eles se fantasiam para homenagear os anfitriões jogos, sem perder a brasilidade. Inclusive por isso o poncho é dupla face. Um lado bandeira do Brasil e no outro a do Peru.

A roupa foi desenhada por um dos membros do grupo que é envolvido com o carnaval das escolas de Samba do Rio de Janeiro. André Lúcio é da área de sistema da informação e também se dedica ao esporte. Ele pediu aos amigos de carnaval que confeccionassem as fantasias paro o grupo de torcedores, que foi criado Paulo Augusto Michalsky, durante o Pan de Toronto.

Paulo foi para as olimpíadas de Atenas sozinho torcer para o Brasil, lá acabou conhecendo outros torcedores independentes. Depois foi para o Pan do Rio 2007, olimpíadas de Londres em 2012. Para os jogos de Toronto em 2015, o grupo de 10 amigos tomou forma. Eles começaram a seguir mais a fundo as competições esportivas ao redor do mundo, além dos mega eventos.

«O que une a gente é paixão pelo esporte, a gente só quer ir e aproveitar.  Pode ser uma olimpíada como um campeonato estadual. Agora estamos nos preparando para Tóquio, mas lá vamos ter que economizar um pouco porque os ingressos e hospedagem estão bem caros», explicou.

Os torcedores dos dois grupos dominaram os jogos de Lima, durante todo o tempo de competições, varias pessoas pediam fotos com as equipes de torcedores.