Milco importado: Conheça o venezuelano que deu vida ao mascote dos jogos

LIMA, Perú, 11 de agosto de 2019.- Abraçando voluntários e carregando uma bolsa enorme, chegava o venezuelano Alfredo Zambrano. Ele deu vida a um dos 8 Milcos que fizeram a animação dos jogos Pan-Americanos de Lima 2019.  O jovem de 24 anos está no Peru há um ano e meio e diz que não trocaria a experiência de ter vivido o Milco por nada.

A oportunidade chegou enquanto Alfredo estava em uma entrevista de emprego para uma vaga de impulsionador de vendas.  Enquanto esperava para ser entrevistado conheceu um outro candidato, também da Venezuela. Os dois se encontraram na semana seguinte e o amigo disse que tinha feito outro processo seletivo para um boneco corporativo, mas não tinha passado por conta da altura e recomendou que Alfredo fizesse o teste.  

«Eu só sabia que era para boneco corporativo, inclusive perguntei ao entrevistador se teria que dar piruetas e fazer acrobacias. Não fazia ideia que a vaga era para ser Milco, também não sabia o que era o Milco», lembra.

O personagem que foi o símbolo dos jogos Pan-Americanos de Lima é inspirado no ‘cuchimilco’, uma estatua da cultura peruana que está sempre de braço abertos dando as boas-vindas aos visitantes. Alfredo representou muito bem o personagem. Ele conta que em todo o tempo esteve se movimentando.  «Não havia chance de alguém me ver e achar que eu era como a estátua.  Se tivesse uma câmera dentro da cabeça do Milco, vocês iam me ver sorrindo sempre», brincou

Viver a experiência de ser o símbolo dos jogos é algo único e Alfredo se emocionou ao recordar dois momentos que mais o marcaram nos jogos. O primeiro deles foi com um jovem de 16 anos que tinha a mobilidade comprometida. Alfredo lembra que o jovem estava assistindo ao jogo de hóquei com os pais e que ao ver Milco, se movimentou inteiro para abraçar o mascote. «fiquei todo arrepiado. Ele não conseguia se mexer, mas ao me ver, ele veio para me abraçar.  Uma energia muito boa e intensa que eu recebi. Quase chorei, mas  como estava no personagem me contive», explicou.

Alfredo conta que a palavra felicidade é a definição que ele dá para o mascote. Ele conta que está dentro do personagem e que sempre vê muitas crianças, mas também se impressiona com a quantidade de adultos que se tornam crianças quando estão perto do Milco.  

Alfredo também acabou realizando o sonho do irmão Antonio, que está na Venezuela com a família. Milco foi fazer uma gravação com a ESPN e lá, sem saber de nada, acabou encontrando com a jornalista esportiva Carolina Padrón, que é venezuelana, mas trabalha no México.  Ele explica que ela é uma inspiração para os venezuelanos. O irmão mais velho é aficionado pela  jornalista e sempre quis conhecê-la. Alfredo recorda, com os olhos cheios de lagrimas, que foi o intermediário na realização do sonho do irmão, que não vê desde que veio para Lima.

«Quando eu fui trocar de roupa, pensei comigo mesmo que eu havia realizado o sonho do meu irmão e pedi permissão para falar com a Carolina. Ela me recebeu como se eu fosse um familiar e com toda a bondade atendeu meu pedido e enviou um vídeo para minha família. Eles ficaram encantados e o meu irmão, de  alguma forma, realizou sonho.» Explicou.