Por Vicente Dattoli – vicentedattoli@hotmail.com>

RIO DE JANEIRO, Brasil, 29 de junio de 2017.- Ouvi uma vez, de um amigo jornalista esportivo, que nossos congressos estão repletos de pessoas velhas.
Sem tristeza ou qualquer tipo de mágoa, este amigo fazia questão de citar pessoas velhas como um elogio para todos nós.

“Temos a felicidade de trabalhar com o que gostamos, por isso (e por ganharmos pouco, ele frisava), trabalhamos por toda a vida. Envelhecemos em nossa profissão. E nossos congressos são momentos nos quais encontramos amigos que estão ao nosso lado a toda hora, mas quase sempre sem que tenhamos tempo para conversar. Daí nossos congressos serem tão espetaculares”, ele completava.
Há poucos dias nosso presidente Gabriel Cazenave enviou, por whatsapp (quanta modernidade), uma mensagem pedindo o paradeiro de alguns desses amigos.

Com tristeza por já saber que não poderia estar em Cáli, na amada Colômbia, ao lado de tantos amigos, fui procurar informações sobre o brasileiro citado – Flávio Iazetti.

Infelizmente a notícia não foi das melhores: ele havia falecido.
Só que, curioso, aprofundei a pesquisa, apesar de já ter a resposta.

Olhando aqui e ali encontrei fotos de Iazetti. Nas fotos, outros amigos – jovens, então. E pais de amigos.

Vi, por exemplo, o pai do querido Tatá Muniz, também jornalista esportivo.

Encontrei o pai de Álvaro José, único brasileiro que já participou da cobertura de dez Jogos Olímpicos (na verdade onze, se considerarmos a Olimpíada de Inverno que consta em seu currículo). Também jornalista esportivo.

Entre os quatro, pais e filhos, além da profissão escolhida (JORNALISTA ESPORTIVO) a semelhança física.
Quem não conheceu os pais que olhem os filhos e os reconhecerão.

As fotos se sucediam e, digo, um sentimento de tristeza me invadia o coração.
Quantos daqueles queridos colegas se foram sem que nunca tenham sido reconhecidos pelo seu amor à profissão. Pelo que fizeram por todos nós, no Brasil, na Colômbia, no Paraguai…

A Fepeda, hoje AIPS América, existe porque um dia vários anônimos (para os outros, para nós verdadeiros heróis) quiseram que a amizade que os unia, pela profissão, fosse perpetuada.

Mais uma vez lamento não poder estar presente neste encontro de JORNALISTAS ESPORTIVOS, verdadeiros AMIGOS.
Que envelheçamos juntos, olhando para os lados e revendo momentos que fizeram do nosso passado as bases dessa amizade que ultrapassa fronteiras e nos reúne a cada congresso.

Parabéns amigos da Colômbia.
Parabéns amigos de toda a América.
Que continuemos juntos, acima de qualquer divergência, de qualquer problema.
SOMOS JORNALISTAS ESPORTIVOS. SOMOS AMIGOS.
Isso é que importa.

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